terça-feira, 3 de maio de 2011

Sem Esperanza.

Andava futucando novidades e velharias em lojas de cds quando me deparei com o álbum oficial do Grammy Awards 2011 (esse aí mesmo da capa ao lado). 
Meio que só pelo costume de dar uma olhadinha, já sabendo que não tinha muito interesse em comprar, fui conferir as faixas, que obviamente corresponderiam  a uma seleção dos vencedores das principais categorias do prêmio (peneira apertadinha, já que são 109 as categorias premiadas, embora seja comum que um artista leve o gramofone em mais de uma categoria).
O primeiro nome que me veio à memória para procurar na lista foi o de Esperanza Spalding, jazzista estadunidense que surpreendeu a todos nesta 53ª edição da premiação ao roubar o doce de uma criança ao tirar o prêmio de "artista revelação" do astro teen Justin Bieber (o qual, apesar de aclamado por milhares de adolescentes descabeladas e franjadas, saiu da premiação de mãos vazias).


Confesso que só tomara conhecimento da existência e, acima de tudo, do talento de Esperanza no ato da entrega do Grammy 2011, em fevereiro, quando fui obrigada pela minha própria consciência a ouvi-la pelos meios dos quais eu disponibilizava na hora (leia-se "youtube"). E a surpresa, confesso ainda, foi muito boa, ao vê-la tocando o seu contra-baixo monumental e cantando, num português muito simpático, diga-se de passagem,  "Ponta de Areia", composição de Milton Nascimento e Fernando Brant. Na mesma noite do Grammy, e durante boa parte do dia posterior também, enquanto eu me deslumbrava nos primeiros contatos com a jazzista, "Esperanza Spalding" era Trending Topic certeiro no Twitter, em parte devido à surpresa de quem a conheceu na premiação (ou já a conhecia e só testificou o seu talento) e, em outra parte, devido aos ataques dos fãs de Bieber na sua página na internet.

Voltando para o ponto em que comecei, enquanto procurava o nome da minha nova jazzista do coração na lista de faixas do cd, percebi que ela não estava lá. Tentei ver se havia um bônus track ou qualquer coisa assim... e nada! Como assim, Bial? Esqueceram a Esperanza ou simplesmente não acharam comercialmente interessante incluí-la nas faixas?

Ah, sim, antes que eu seja linchada ou qualquer coisa parecida: também senti falta de alguma faixa do Muse (mas, pessoalmente, não considero o prêmio faturado pela banda - "Melhor álbum Rock" - tão imponente quanto o de "Artista Revelação", logo, a sua ausência não foi sentida por mim com tanto pesar).

O curioso é que os álbuns anteriores do Grammy Awards (2010 e 2009) possuíam 20 faixas, e, o desse agora, só 19. A faixa vazia me soou quase como um minuto de silêncio pela ausência de Esperanza. Mas, vendo pelo lado bom, pelo menos não tem nenhuma faixa do Justin...



Extra: CONFIRA AS FAIXAS DO ÁLBUM OFICIAL DO GRAMMY 2011 AQUI



6 comentários:

  1. Acho o Grammy meio fiasco, que nem o Oscar. Speranza ganhou revelação sendo que ela já tem disco em gravadora grande desde 2008. Nessas grandes premiações às vezes se usa a desculpa de que pra concorrer a revelação tem que no mínimo ser de uma grande gravadora.
    Muse é outro que tá aí pra provar o fiasco do Grammy. Eles nunca sequer tinham sido indicados pro Grammy e a banda grava discos desde 99 (eles têm 5 discos gravados em estúdio). Este ano o Muse ganhou melhor álbum de rock com The Resistance sendo que todos os outros álbuns deles foram considerados obras-primas pro Rock. E cadê o Grammy dando atenção a isso? Além disso, The Resistance é o mais eletrônico, o "menos rock" que eles têm. Coincidência ou não essa indicação ao Grammy só veio quando a banda alcançou maior popularidade. E a Speranza, coitada, teve que pedir apoio pra Michelle Obama pra poder levar o gramofone dourado..

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  2. Tipo, super assino embaixo de tudo o que você falou.

    O meu susto não foi me tocar que o Grammy é "mó mentira" ou politicagem de gravadora (como tende a ser a maioria dos grandes prêmios), mas sim de perceber que provocou uma contradição ao "esquecer" de colocar na seleção do próprio álbum uma artista a quem a própria academia premiou em uma das categorias mais importantes.

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  3. lembro de ter lido sobre isso superficialmente e fiquei contente por terem 'tirado o doce de uma criança'.. ainda mais essa criança sendo o justin 'biba'. nunca saberemos de fato porque o cd de 2011 foge à regra tendo somente 19 faixas. com certeza, eles não esqueceram de Esperanza. lembraram tanto dela que, com raiva, resolveram retrucar excluíndo-a do cd!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Parabéns, Rosana, pelo seu texto e pelo seu blog também. Está tudo muito bonito, as cores, a forma de organizar os textos. O conceito de falar da música feminina é muito interessante e consistente na sua abordagem. Gostei muito de como você escreveu essa matéria sobre a Esperanza Spalding, e acho que você conseguiu informar sobre o Grammy 2011 e imprimir no texto a sua opinião sobre o acontecido. O apagão no blogspot me fez perder o texto do Borandá Brasil do Coral da UFC e estou aqui reescrevendo-o... Bom final de semana. Beijos.

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  6. Gente, o que foi essa pane no blogspot, hein? Já tinha lido teu texto sobre o Borandá no Cultura Ciliar, depois fui reler pra pegar umas informações e... sumiu! É uma pena, pq o texto tava realmente mto bom, mas eu sei que vc reescreve ainda melhor ;)

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